O dinheiro não cai do céu, nem nasce nas árvores. Apesar disso, sem que tenha havido (tanto quanto eu me tenha apercebido) alterações estruturais de contenção da despesa (bem pelo contrário, o que houve foi aumento da despesa com as reversões dos cortes implementados pelo Governo anterior), o Governo fechou o ano de 2016 com um défice historicamente baixo. Uma proeza digna de registo! Pois bem, soube-se agora como é que o "milagre" foi conseguido: à custa de cativações, quase mil milhões de euros, mais do dobro do prometido à Comissão Europeia. É claro que, quando a manta é curta, tapando a cabeça, destapa-se os pés. E isso está a custar bem caro em algumas situações. Para só citar os exemplos mais recentes, falha do sistema de comunicações de emergência na recente tragédia de Pedrogão e roubo das armas em Tancos, dois casos flagrantes do impacto das cativações feitas pelo Governo.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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