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Medina Carreira (1931-2017)

Ouvindo o discurso de Medina Carreira, a primeira impressão seria: "Ora cá está o Velho do Restelo do século XXI". Nada mais errado. Medina Carreira era um optimista que achava que a situação podia sempre piorar. Sem papas na língua, sempre disse o que pensava, mesmo que isso lhe causasse dissabores. Apenas um exemplo: "Não sou pessimista. Chamam-me assim porque, para me responderem, tinham de ir trabalhar, estudar os números, raciocinar. Limitam-se a chamarem-me pessimista e dão repercussão a essa ideia. É a coisa mais estúpida deste mundo e é a fórmula cómoda de tentar anular o meu pensamento. Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo. Quando olho para os partidos, para estes dirigentes, não posso ser outra coisa. Os factos mostram que somos a pior economia da Europa e dos países mais endividados" (Jornal Expresso, 2009). E para ele, a gente que toma conta do país hoje não é mais capaz do que a que tomava conta em 2009.

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