O governo nega ter havido falhas no combate aos incêndios e, no entanto, em Agosto deste ano, já ardeu mais área do que em qualquer um dos últimos 8 anos. Portanto, não tendo havido falha (do governo), o que é que falhou? Tudo, ou quase tudo. O diagnóstico está feito (e bem feito) há mais do que uma década. O único problema é nunca ter passado do papel. Ano após ano, passado o calor dos acontecimentos e diminuída a atenção dos meios de comunicação social sobre os fogos, o assunto é esquecido até ao Verão seguinte. Este ano parece não ser excepção. Se bem entendi, em Outubro(!!!) o governo vai realizar um Conselho de Ministros Extraordinário (CME) para analisar o assunto. Está-se mesmo a ver a sequência do CME: tirando algumas palavras de circunstância, vai continuar tudo na mesma e rezemos para o próximo Verão não ser tão quente nem tão seco. Entretanto, no calor dos acontecimentos (para acalmar a consciência e "mostrar trabalho"), vai-se falando em tornar mais pesadas as penas pelo crime de fogo posto ou por os incendiários a pagar os prejuízos como se isso resolvesse (ou minorasse, sequer) o problema!
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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