Não é novidade para ninguém, a primeira e principal característica de um político é a capacidade de dizer tudo e o seu contrário ou, como diz o povo, "ter lata". Vem isto a propósito dos comentários tecidos por Maria Luís Albuquerque a respeito das previsões da Comissão Europeia (CE) sobre o défice português. Segundo ela, "é de esperar medidas adicionais algures ao longo deste ano". Como não acredito que a senhora tenha memória de galinha, concluo que tem uma lata descomunal. Enquanto Ministra das Finanças, andou todo o ano de 2015, a pregar que as previsões do governo eram realistas, que a Comissão Europeia estava enganada (os burocratas de Bruxelas nunca acreditaram nas previsões do governo, mas como era ano de eleições...) e que Portugal fecharia o ano de 2015 com um défice bem abixo dos 3%. Ficamos agora a saber, pela boca da CE que o défice português em 2015, excluindo o Banif, ficou em 3.2%. E a responsabilidade não pode ser assacada ao actual governo que, tendo tomado posse no final do ano, mal teve tempo para arrumar as gavetas das secretárias. Bem andou o Presidente da República que, não embarcando na guerra mesquinha e inútil das décimas, realçou o único facto realmente importante. Pela primeira vez, governo português e CE concordam que o défice ficará abaixo dos 3%.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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