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Afinal em que ficamos?


Ainda há poucos dias, na sequência da resolução do Banif e consequente compra pelo Santander, Presidente da República e Primeiro-Ministro manifestaram públicas preocupações com a espanholização da banca nacional (não que o fenómeno seja novo, mas está a acentuar-se). Agora, no auge da crise BPI, concertadamente, resolveram acabar com a desblindagem dos estatutos dos bancos, resolução essa que parece uma medida para apoiar os espanhóis do CaixaBank na compra do BPI (como, aliás, Isabel dos Santos pensa). Portanto, o que era mau deixou de o ser, repentinamente, ainda que nada de extraordinário tenha acontecido entretanto. Presumo que a blindagem dos estatutos dos bancos destinava-se a manter os centros de decisão em Portugal (e nos accionistas portugueses), ainda que a maioria do capital fosse estrangeiro. Também isso deixou de ser relevante para o financiamento da economia portuguesa? Afinal em que ficamos?

PS-Entretanto foi tornado público um manifesto subscrito por 51 personalidades da vida nacional em que se apela à reconfiguração da banca nacional. O manifesto, intitulado "Reconfiguração da banca em Portugal -  Desafios e linhas vermelhas", visa lutar pela sustentabilidade da banca portuguesa, contra a "espanholização" e contra o "dirigismo das autoridades europeias". E a explicação é bem simples. De acordo com João Duque, economista, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, e um dos subscritores do referido manifesto, "Se houver um problema de crédito com a Espanha, Portugal é arrastado. Não tem nada que ver com a nacionalidade. A diversificação é um dos princípios fundamentais em finanças".

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