Joseph Stiglitz, em conferência recente, citando os limites de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o défice, de 60% do PIB para a dívida e de abaixo mas próximo dos 2% para a inflação, questionava: "De onde vieram estes números?", para concluir que esses números tinham sido escolhidos sem nenhuma base económica, que tanto poderiam ser esses como outros. "Mas, ainda assim na Europa, esses números são tratados como se tivessem sido dados por Deus, como se fosse uma violação das leis básicas da natureza quebrar essas regras. Mas elas são regras criadas por homens e, como todas as instituições humanas, são falíveis", continuou o economista norte-americano. Ainda segundo Stiglitz, o projecto europeu foi criado para "trazer prosperidade" e fazer convergir os países pobres para o nível de desenvolvimento e bem-estar dos mais ricos, mas, em vez disso, "trouxe um sistema divergente em que os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres". Até ao dia em que a maioria dos países da Europa se fartar e deixar a Alemanha a falar sozinha, digo eu.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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