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A montanha pariu um rato?

Como já se adivinhava, o Ministério Público (MP), mais uma vez, não cumpriu o prazo para a formulação da acusação a José Sócrates. E a Procuradora-Geral da República, mais uma vez, aceitou as lamúrias do MP: não só considerou o pedido "justificado", como só em Abril fixará o prazo para o fim das investigações. Em poucas palavras, um desrespeito absoluto dos mais elementares direitos e garantias dos arguidos digno de uma qualquer república das bananas. E, já agora, estes adiamentos sistemáticos estão a provar uma coisa: inteligência não é coisa que abunde para aqueles lados. Ainda não perceberam que a única forma de resolver um problema extremamente complexo é dividi-lo em problemas mais simples de maneira a ir encontrando respostas parciais que, conjugadas, resolverão o problema inicial. As palavras são de Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados: "O Ministério Público está a gerar um monstro. Neste momento há 91 volumes, 452 apensos e 13.5 milhões de ficheiros informáticos. Há muitas investigações no mesmo processo. Isto não facilita nem a investigação nem a defesa". E, acrescento eu, aumenta exponencialmente o risco de a montanha parir um rato.

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