A solução governativa engendrada por António Costa, conhecida por "geringonça", nunca foi do agrado de Bruxelas e de Berlim. O desejo sempre foi de que os partidos rapidamente se desentendessem para voltarmos ao caminho anterior. A pressão levada a cabo sobre a proposta de Orçamento para 2016 (ainda antes de o Orçamento entrar em vigor, apresentação de um plano de contingência), no início deste ano, foi apenas mais um exemplo. Pois bem, se dúvidas houvesse de que o desagrado relativamente ao caminho português é meramente ideológico, tanto quanto seja do domínio público, até Agosto, basta olhar-se para os números da execução orçamental que mostram exactamente o contrário. Isto para não falar no perigo (para a corrente oficial) que representa um pequeno país ter o atrevimento de provar que há alternativas ao modelo de austeridade imposto por Berlim. Mas os alemães não desarmam. Wolfgang Schäuble, Ministro das Finanças da Alemanha, mostrou, mais uma vez, o que lhe vai na alma ao afirmar que "Portugal estava a ser muito bem sucedido até ao novo Governo". Se estou bem recordado, no tempo em que (alegadamente) tudo estava a ir muito bem, Portugal sofreu um retrocesso que vai levar anos a recuperar, logo, se as coisas estavam a correr bem, não era para Portugal nem para os portugueses!
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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