Na apresentação da proposta de Orçamento para o próximo ano, o Ministro das Finanças começou por se congratular com a apresentação do documento dentro do prazo (ainda que com algumas horas de atraso), passando, em seguida, a "dourar a pílula" relativamente às promessas "esquecidas". Relativamente à proposta de orçamento propriamente dita, deu para perceber que a tão propagandeada baixa da carga fiscal vai ser feita à custa da eliminação gradual(íssima) da sobretaxa do IRS, eliminação essa "equilibrada" com o aumento dos impostos indirectos sobre (quase) "tudo o que mexe" (automóvel (aquisição e circulação), combustíveis, tabaco, álcool, etc) e ainda a criação de uns quantos novos (imóveis, bebidas açucaradas), tudo isto embrulhado em matemática de geometria variável para se chegar ao resultado exigido por Bruxelas: défice 2017 = 1.6% do PIB. O exercício não se revelava nada fácil na medida em que o governo teria de resolver uma espécie de quadratura do círculo, acomodar as exigências dos partidos que o sustentam no Parlamento, respeitando, em simultâneo, os compromissos europeus. Pois bem, pelo menos no papel, o objectivo foi atingido com sucesso. Resta saber se Bruxelas aceita as contas e, mais importante, se a economia, no próximo ano, "acerta agulhas" com o cenário macroeconómico que serviu de base à elaboração da proposta de Orçamento.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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