Em Portugal, as relações dos ricos e/ou poderosos com o Fisco sempre foram, no mínimo, curiosas. Ou se esquecem de declarar rendimentos (por exemplo, Ricardo Salgado) ou, pura e simplesmente, esquecem-se de entregar a declaração (por exemplo, Paulo Portas). A última (conhecida) tem a ver com Cavaco Silva e o IMI da sua casa do Algarve. Segundo foi noticiado, durante 15 anos, Cavaco Silva terá pago metade do IMI devido ao Estado. E como? Porque, de acordo com a notícia, o contribuinte terá entregue nas Finanças a declaração (antigo Modelo 129) de uma propriedade que nunca existiu (a propriedade descrita no modelo entregue corresponde, grosso modo, a metade da propriedade real). O valor só foi acertado em 2015 quando os serviços fiscais fizeram uma nova avaliação da moradia. Escusado será dizer que, durante 15 anos, ninguém (proprietário, Câmara, Finanças...) se apercebeu da discrepância entre a casa de Albufeira e a casota descrita nas Finanças!
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Comentários
Enviar um comentário