Avançar para o conteúdo principal

Lutar contra moinhos de vento

Segundo a UTAO, o défice público português, em contabilidade nacional, (o que conta para Bruxelas e para o Eurostat) terá ficado, no final do primeiro semestre, nos 2.7% do PIB. Recorde-se, o objectivo do governo era fechar o ano com um défice de 2.2%, mas, na sequência da anulação das multas a Portugal e a Espanha, a meta foi fixada nuns mais realistas 2.5%. Mas mesmo este objectivo está ameaçado face ao crescimento real da economia portuguesa, muito abaixo da estimativa inscrita no OE, pelo que a UTAO antecipa um segundo semestre de execução orçamental complicado para o cumprimento da meta. Caso o objectivo não venha a ser cumprido, presumo que o governo já esteja a trabalhar na argumentação a apresentar a Bruxelas para justificar o não cumprimento. De qualquer forma, deixo aqui uma sugestão: Verão excepcionalmente quente e seco, que provocou uma vaga de incêndios como há muito não havia memória, incêndios esses que originaram a derrapagem da despesa na exacta medida do desvio.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desculpas esfarrapadas

Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!