Quando toda a gente enchia a boca com "Estamos preparados", o que eles queriam dizer não era que estávamos preparados para a contenção da pandemia em Portugal, mas sim "Estamos preparados para navegar à vista", isto é, vamos indo e vamos vendo, esperando que os portugueses, por uma qualquer graça divina, sejam imunes ao vírus. Assim que se tornou mais do que evidente que em Portugal faltava (quase) tudo, desde um simples par de luvas até ventiladores, e que o número de casos começou a subir assustadoramente (afinal os portugueses não são imunes!), o Governo resolveu tomar medidas que poderiam fazer a diferença... se tomadas há mais tempo. Agora, o mais sensato, será contarmos com o pior. A situação em Espanha é crítica e, tradicionalmente, na Páscoa os espanhóis vêm aos milhares gozar umas mini-férias a Portugal. Como as nossas fronteiras não estão fechadas, talvez o Governo acalente secretamente a esperança de ser a Espanha a tomar a decisão de colocar o país em quarentena, fechando as suas fronteiras.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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