Avançar para o conteúdo principal

País adiado

"Vive-se um clima de ilusão. Saiu-se da depressão para uma quase euforia. Ninguém pára para pensar. De um momento para o outro, o dinheiro que não havia apareceu. Parece o milagre da multiplicação. Oxalá tarde muito o trambolhão que há de pôr toda a gente, de novo, a rezar a Nossa Senhora" (José Eduardo Moniz). As palavras de Eduardo Moniz reflectem, na perfeição, o paradoxo em que vivemos. Crescimento económico como já não víamos há muitos anos, défice historicamente baixo, e mesmo assim, uma dívida que não pára de crescer. Ainda segundo Eduardo Moniz, estando o país mais ou menos na mesma, com as reformas (realmente) estruturais metidas na gaveta, a sensação de que se vive no melhor dos mundos é fruto da mestria do Governo em matéria de comunicação e de propaganda. Não será exactamente assim, pois os números merecem realmente algum optimismo. Mas enquanto o serviço da dívida representar a hemorragia de dinheiro que tem representado, Portugal continuará um país eternamente adiado.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desculpas esfarrapadas

Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!