"Vive-se um clima de ilusão. Saiu-se da depressão para uma quase euforia. Ninguém pára para pensar. De um momento para o outro, o dinheiro que não havia apareceu. Parece o milagre da multiplicação. Oxalá tarde muito o trambolhão que há de pôr toda a gente, de novo, a rezar a Nossa Senhora" (José Eduardo Moniz). As palavras de Eduardo Moniz reflectem, na perfeição, o paradoxo em que vivemos. Crescimento económico como já não víamos há muitos anos, défice historicamente baixo, e mesmo assim, uma dívida que não pára de crescer. Ainda segundo Eduardo Moniz, estando o país mais ou menos na mesma, com as reformas (realmente) estruturais metidas na gaveta, a sensação de que se vive no melhor dos mundos é fruto da mestria do Governo em matéria de comunicação e de propaganda. Não será exactamente assim, pois os números merecem realmente algum optimismo. Mas enquanto o serviço da dívida representar a hemorragia de dinheiro que tem representado, Portugal continuará um país eternamente adiado.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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