A Grécia andava desaparecida dos radares desde 2015, ano do terceiro resgate. Agora que se aproxima a data de fazer reembolsos sem que tenha fundos suficientes, o problema é colocado, mais uma vez, em cima da mesa. Só que este ano é um ano especialmente delicado. Com eleições na França, Alemanha e Holanda, prespectiva-se um novo braço de ferro entre Atenas e os credores. O FMI, que não participou financeiramente no último resgate, veio, recentemente, afirmar (mais uma vez) num relatório que a Grécia não tem qualquer hipótese de crescer e ultrapassar o problema explosivo da dívida, mesmo que cumpra à risca o que lhe foi pedido. A Alemanha, por sua vez, já fez saber, pelo seu Ministro das Finanças, que o alívio da dívida grega está fora de questão e que se isso vier a acontecer a Grécia tem de abandonar o euro. Percebe-se o teor do discurso (feito, na minha opinião, para consumo interno) na medida em que, com eleições marcadas para Setembro, qualquer alívio da dívida grega poderá influenciar o resultado das eleições. A estratégia parecer ser, pois, adiar o problema para depois de Setembro, fazer novo empréstimo e... ficar a aguardar pelo pedido seguinte! Sim, porque a Grécia, sem medidas de alívio da sua dívida, nunca será capaz de pagar o que deve.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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