Dos cinco maiores bancos que operam no mercado português, só a Caixa Geral de Depósitos se mantém nacional, com o seu capital controlado a 100% pelo Estado. O BCP é controlado pelos chineses da Fosun, o BPI pelos catalães do La Caixa, o Santander Totta pelos espanhóis do Santander. Quanto ao Novo Banco, aguarda quem o compre, mas uma coisa é certa: no futuro, não será capital nacional a mandar na instituição. Trinta e sete anos depois da abertura do sector bancário à iniciativa privada por decisão de um governo liderado por Mário Soares, foi ao que chegamos. Ainda há não muitos meses tanta preocupação por a banca portuguesa estar quase toda ela na mão dos espanhóis e agora... Se houver uma nova crise em que a banca se veja forçada a "fechar a torneira" (e, como as coisas estão, parece-me, será uma questão de tempo) não será nada tranquilizador estar a banca nacional na mão de estrangeiros. Em igualdade de circunstâncias, um banco português (agora espanhol) se não tiver capacidade suficiente para financiar todos os pedidos, naturalmente, tenderá a privilegiar os pedidos dos conterrâneos em detrimento dos nacionais.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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