Depois da enormíssima vitória que constituiu o sim de Bruxelas à recapitalização da CGD, Mário Centeno e o Governo envolveram-se numa teia de contradições quase sem escapatória. A escolha da nova administração da CGD, e as promessas que terão sido feitas a António Domingues, revelaram-se uma imensa embrulhada que fragilizou o Ministro das Finanças. PSD e CDS, quais cães de fila, à medida que a imprensa ia revelando novos pormenores da troca de correspondência entre António Domingues e as Finanças, agarraram-se "ao osso" e nunca mais o largaram. Ainda que o problema pareça sanado, Mário Centeno, provavelmente, não se livrará de novas investidas. A história continua com algumas pontas soltas e a admissão, por parte de Centeno, de alguma culpa em todo o processo ("erro de percepção mútuo" nas suas palavras) não terá encerrado o assunto. Para cúmulo, o Presidente da República aceitou a confiança depositada por António Costa em Mário Centeno por "estrito interesse nacional", fragilizando ainda mais a já de si frágil situação do Ministro das Finanças. Por outras palavras, Marcelo Rebelo de Sousa não "engoliu" nenhuma das explicações dadas por Centeno na conferência de imprensa da passada segunda-feira e se não fosse o superior interesse nacional (leia-se, estabilidade política) não havia santo ou santa que salvasse Mário Centeno de um par de patins.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Comentários
Enviar um comentário