Segundo o semanário Sol, tendo por base a transcrição de escutas do Processo Marquês, em 2014, quando José Sócrates se aprestava a regressar de Paris, o ex-Primeiro-Ministro julgava-se (ainda) uma espécie de Godfather do Partido Socialista e achava que António Costa não tinha "tomates" para ser Primeiro-Ministro (recordando, 2014 foi a altura em que António Costa, entre avanços e recuos, ameaçou disputar a liderança a António José Seguro, o que acabou por acontecer). Não estamos em 2014, estamos em 2017, as investigações do Processo Marquês ainda decorrem e José Sócrates ainda não foi acusado de coisíssima nenhuma. Como tal, as escutas deveriam estar protegidas pelo segredo de Justiça, em vez de divulgadas por um qualquer tablóide. Isto é consequência do mês que atravessamos, mês por excelência para o gozo de férias e, consequentemente, parco em notícias. Como os jornais têm de vender todo o ano, nada melhor do que ressuscitar um fantasma que mexe com a sociedade portuguesa. Em simultâneo, sabendo-se lá com que agenda, dá-se umas bicadas no Governo de Portugal.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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