Desde 2000 até agora, o fogo consumiu 2.3 milhões de hectares de território nacional. Considerando unicamente o espaço florestal, ardeu cerca de 40% desse território (não ardeu tanto, uma vez que houve áreas que arderam mais do que uma vez neste período de tempo). Estamos falar de números que deveriam ter feito disparar as campainhas de alarme dos sucessivos Governos, tanto mais que, ano após ano, o cenário repete-se. E o ano de 2017 está a destacar-se pelas piores razões. Falando unicamente de área ardida, nunca tinha ardido uma área tão grande nos primeiros sete meses do ano: 128 mil hectares. É urgente uma aposta forte na prevenção, sabendo-se que algumas medidas levarão 10 ou mais anos a produzir efeitos práticos. O que já deveria estar percebido é que medidas avulsas e rezas para que o ano seguinte não seja tão seco e com temperaturas tão elevadas não resultam. Se o Diabo não apareceu, o Inferno, esse, tem assentado todos os anos arraiais em Portugal.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Comentários
Enviar um comentário