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Legado presidencial

Quando Bruno de Carvalho chegou à presidência do Sporting, parecia vir com um projecto com pernas para andar: endireitar as finanças do clube, acabando com as contratações a torto e a direito, e apostar na formação. Também, diga-se em abono da verdade, naquela altura não havia alternativa pois o dinheiro era um bem (muito) escasso para os lados de Alvalade. Contratou um treinador (Leonardo Jardim) que, tenho a certeza, com tempo, recolocaria, novamente, o Sporting na rota dos triunfos. Leonardo Jardim, em grande medida com a prata da casa, fez uma primeira época espantosa, o que levou o presidente do Sporting, qual puto impaciente, a fixar, como objectivo, a conquista do campeonato no ano seguinte. Jardim, que sabia que isso seria quase impossível, resolveu bater com a porta. Bruno não desarma e contrata Marco Silva com promessas de amor eterno. Paralelamente, Bruno de Carvalho, mal se viu com dinheiro nos cofres, decidiu assumir em mãos as contratações e comprou uma série de gente que nem na equipa B tinha lugar. Como seria de esperar, apesar das pressões do presidente, Marco Silva teimou e não os chamou à equipa principal. Foi o princípio do fim de Marco Silva como treinador do Sporting. Mas Bruno de Carvalho resolveu tirar um coelho da cartola e contrata Jorge Jesus ao rival Benfica. Durante semanas foi o tema das conversas nacionais! Jorge Jesus desembarcou em Alvalade e dedicou-se a fazer aquilo que mais gosta, comprar jogadores, encostando ou emprestando as jovens promessas da formação leonina. O resultado está à vista. E é este o legado com que Bruno de Carvalho se apresenta aos sócios leoninos nas próximas eleições. Caso as ganhe, e continue tudo na mesma, prevejo um longo reinado ao Benfica e ao Porto na primazia do futebol nacional (mais ao primeiro do que ao segundo, tal a quantidade de erros de palmatória cometidos pela direcção portista nos últimos anos).

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