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A insustentável leveza da dívida

Fatal como o destino, mais cedo ou mais tarde o problema das dívidas soberanas (de Portugal e não só) terá de ser encarado de forma pragmática. E encarar de forma pragmática o problema da dívida significa discutir juros (excessivos), maturidades (inadequadas) e montantes (exorbitantes). O FMI acha a questão incontornável, só a Alemanha não quer ouvir falar do assunto. Por cá, PCP e BE têm procurado colocar a questão na agenda do dia sem grande sucesso, diga-se. Tanto Presidente da República como PS e Governo acham que, a discutir-se o assunto, nunca antes das próximas eleições legislativas alemãs agendadas para o final do próximo ano. Entretanto, o Governo tem-se congratulado pelos resultados das emissões de dívida que tem feito. Juros de 3% até poderia ser uma boa notícia se... o país estivesse a crescer acima daquele valor. Acontece é que o nosso crescimento tem sido pouco superior a 1%, logo a dívida tem vindo a aumentar. Por outro lado, os encargos com o serviço da dívida, que este ano deverão superar os 8.000 milhões de euros (só em juros), não deixam dinheiro para mais nada. E sem investimento não há forma de acelerar o crescimento e gerar mais riqueza, única forma de Portugal conseguir honrar os seus compromissos para com os credores sem sacrificar demasiado a qualidade de vida dos portugueses.

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Desculpas esfarrapadas

Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!