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Na prática, a teoria é uma coisa completamente diferente!

A Comissão Europeia, pela voz do seu Presidente, anunciou, com pompa e circunstância, que, consultados os cidadãos europeus, vai propor acabar com a mudança da hora duas vezes por ano. Mas quando olhamos para os números da consulta (4.6 milhões, 3 milhões dos quais alemães, segundo li), com números desta natureza (que não representam, sequer, a vontade do povo alemão, quanto mais  a dos cidadãos da União Europeia) é pura demagogia afirmar-se que a decisão resulta da vontade de uma maioria. Bem vistas as coisas, esta decisão não deveria constituir surpresa para ninguém. Estamos habituados a ver os burocratas de Bruxelas descortinarem a falta de uma vírgula num texto com milhões de palavras, mas incapazes de compreender que, na prática, a teoria é uma coisa completamente diferente. Verdade seja dita, a situação actual não é perfeita, mas a falha mais profunda (e, provavelmente, maior fonte de insatisfação) resultou de pura estupidez de quem escolheu a altura do ano da entrada em vigor do horário de Inverno. Não é nada agradável sair do trabalho, ainda com dia, na sexta-feira anterior ao último domingo de Outubro e na segunda-feira seguinte, saindo à mesma hora, já sair de noite. Mais uma vez, estupidez pura e simples de quem escolheu. O problema não reside na mudança da hora, mas sim da altura em que isso ocorre. Se a mudança acontecesse no último domingo de Setembro, a transição para a noite seria progressiva e as pessoas, naturalmente, adaptavam-se à alteração horária.

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