A Comissão Europeia, pela voz do seu Presidente, anunciou, com pompa e circunstância, que, consultados os cidadãos europeus, vai propor acabar com a mudança da hora duas vezes por ano. Mas quando olhamos para os números da consulta (4.6 milhões, 3 milhões dos quais alemães, segundo li), com números desta natureza (que não representam, sequer, a vontade do povo alemão, quanto mais a dos cidadãos da União Europeia) é pura demagogia afirmar-se que a decisão resulta da vontade de uma maioria. Bem vistas as coisas, esta decisão não deveria constituir surpresa para ninguém. Estamos habituados a ver os burocratas de Bruxelas descortinarem a falta de uma vírgula num texto com milhões de palavras, mas incapazes de compreender que, na prática, a teoria é uma coisa completamente diferente. Verdade seja dita, a situação actual não é perfeita, mas a falha mais profunda (e, provavelmente, maior fonte de insatisfação) resultou de pura estupidez de quem escolheu a altura do ano da entrada em v...