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Mário Duas-Caras Centeno

Mário Centeno, na qualidade de Presidente do Eurogrupo, apareceu recentemente num vídeo institucional a congratular a Grécia por, quase dez anos depois, ter saído do programa de resgate da troika. Em Portugal, da esquerda à direita, ninguém gostou de ver o Ministro das Finanças dar a cara pelo sucesso da política de austeridade imposta por Bruxelas (convém não esquecer que Centeno, enquanto apenas Ministro das Finanças de Portugal, foi um forte crítico do programa de ajustamento imposto ao nosso país). Bem esteve Galamba quando escreveu: "Um vídeo lamentável que apaga o desastre que foi o programa de ajustamento grego e branqueia todo o comportamento das instituições europeias". Poderia ter ido um pouco mais longe, acentuando a alteração do discurso de Mário Centeno relativamente ao pacote de Bruxelas. Não foi, mas PSD e CDS encarregaram-se de o fazer.

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Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!