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Once upon a time... in Portugal

Sinopse do filme Era Uma Vez... Em Portugal. Decorria o Verão de 2014, quando as autoridades portuguesas resolveram liquidar o banco BES e criar um outro banco apenas com os activos não-tóxicos do BES. Ao banco nascido das cinzas do BES foi dado o nome de Novo Banco. Para que não houvesse dúvidas relativamente à solidez do Novo Banco, foi feita uma injecção de capital de 4.900 milhões de euros, capital esse a título de empréstimo, a ser reembolsado com a venda do Novo Banco. Infelizmente a realidade não se compadeceu com as boas intenções das autoridades. Após várias tentativas falhadas de venda do Novo Banco, e com o Novo Banco a apresentar prejuízos ano após ano, desvalorizando-se a olhos vistos, a venda foi, finalmente, concretizada, alguns anos depois, a um fundo de investimento norte-americano, por um preço meramente simbólico, ficando o prejuízo a cargo dos contribuintes portugueses.

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Desculpas esfarrapadas

Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!