A desfaçatez desta gente é inqualificável! Então não é que Fernando Medina afirmou, preto no branco, que “A nossa política salarial é a política adequada para responder às necessidades de assegurar o poder de compra durante o ano de 2023, sem com isso contribuir para um aumento das tensões inflacionistas no nosso país”? Das duas uma, ou o senhor não sabe fazer contas (e neste caso não deveria ocupar o lugar que ocupa) ou acha que nós somos todos parvos. Com aumentos salariais sempre inferiores à inflação real, como é que é possível assegurar o poder de compra das pessoas? O ano de 2022 foi especialmente penalizador e, apesar do discurso otimista, 2023 apresta-se a seguir o mesmo caminho. Afinal o nível de inflação não será tão passageiro quanto isso e, de qualquer forma, a perda de poder compra já verificada nunca mais será reposta. A perda é definitiva. Quanto às tensões inflacionista, supostamente provocadas por aumentos salariais, é uma afirmação que necessita de demonstração. Há muitos especialistas que discordam e a própria Comissão Europeia defende que há margem para aumentar os salários este ano e que os aumentos previstos não só estão abaixo do necessário para compensar a perda de poder de compra, como também podem ficar abaixo das subidas previstas para limitar os impactos na inflação.
Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

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