Avançar para o conteúdo principal

Crónica de uma vitória anunciada

As eleições legislativas do passado Domingo tiveram um vencedor claro, António Costa e o PS. Mas a vitória, incontestada, terá tido um sabor amargo: ficaram a anos-luz da maioria absoluta, com que chegaram a sonhar. E pelo que se ouviu na noite eleitoral, a esquerda do PS não parece estar disposta a passar "cheques em branco" a António Costa. A CDU, em queda contínua e acentuada, tratou logo de fazer exigências que o PS nunca aceitará. Quanto ao BE, abrindo a porta a um acordo de regime ou a acordos pontuais, cobrará, seguramente caro, um eventual apoio. O PSD aguentou-se com um resultado bem melhor do que se chegou a augurar e, apesar de já ter começado fogo cerrado contra Rui Rio, o resultado não me parece dar grande trunfo aos críticos. Quanto ao CDS, a derrota foi histórica e provocou logo a primeira vítima. Ainda a noite era uma criança e já Assunção Cristas anunciava o abandono da liderança do partido. Quanto aos outros, assinale-se o excelente resultado do PAN e a chegada ao hemiciclo de três novos partidos: Chega, Iniciativa Liberal e Livre.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desculpas esfarrapadas

Passado todo este tempo, é altura de o Governo mudar de discurso. Atirar culpas para o Governo anterior já só serve para crentes que queiram mesmo acreditar. Acontece é que há uma série de incompetentes à frente dos destinos deste país, entre os quais a Ministra da Administração Interna (MAI). Aquando da tragédia de Pedrogão Grande, afirmou que cobardia seria demitir-se. Se ela não se lembra, que pesquise na Net a história da queda da ponte de Entre Rios e a reacção do MAI de então.

Um fiasco

O programa de ajustamento português foi um sucesso para todos menos para os portugueses. Recuamos 10 anos, a banca portuguesa está, globalmente de tanga, a economia não há meio de arrancar, as reformas, necessárias, ficaram todas por fazer. Numa palavra, a austeridade a velocidade de cruzeiro revelou-se um verdadeiro fiasco. Apesar disso, a Comissão Europeia continua a insistir na mesma tecla. Exige que Portugal atinja um défice de 2,3% do PIB este ano, valor que fica quatro décimas abaixo da estimativa de 2,7% que Bruxelas tem actualmente para as contas públicas portuguesas. O que, por muito que o governo e os partidos de esquerda que o sustentam esperneiem, implicará adoptar medidas adicionais correspondentes a 0,4% do PIB, qualquer coisa como 730 milhões de euros. Já escrevi e faço-o mais uma vez: Bruxelas está a apostar as fichas todas na queda do governo. Poderá demorar mais ou menos tempo, mas os burocratas da CE sabem que, exigindo o absurdo, um dia verão o PCP e o BE deixar...

Caloteiros!

Dar o que é dos outros, nunca custou nada a ninguém. É o caso do Governo que ainda não pagou os manuais escolares oferecidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. As livrarias, grandes e pequenas, que disponibilizaram (isto é, pagaram às editoras e ofereceram aos alunos) os manuais continuam à espera que o Governo cumpra o prometido. E ao que tudo indica, a data para a liquidação das dívidas é incerta. Única certeza, não será neste ano civil. Percebes agora como é que o défice tem descido tanto? O Governo não paga a quem deve!